O legado dos Judeus aos Britânicos
Sabia que o famoso fish and chips, ícone da culinária inglesa, era na verdade uma especialidade dos judeus sefarditas portugueses?
Quando fugiram da Inquisição no século XVI e se refugiaram nas ilhas Britânicas, os judeus que se fingiram de cristãos durante a Inquisição comiam peixe às sextas-feiras, quando a carne era proibida pela Igreja, e guardavam uma porção para comer fria no dia seguinte ao almoço, de modo a não terem de cozinhar durante o Shabat.
A fritura sempre fez parte da cozinha doméstica judaica e, à medida que a comunidade começou a desenvolver-se em Inglaterra, foi estimulando o gosto pelo peixe frito -peixe que era um ingrediente desprezado localmente.
Para os judeus praticantes, o peixe é pareve, um alimento neutro em termos kosher, portanto, uma maneira fácil de evitar treyf (alimento não kosher) e possivelmente incluir laticínios na mesma refeição.
Alexis Soyer, um cozinheiro francês que se tornou um chef célebre na Inglaterra vitoriana, incluiu uma receita para “Peixe frito à moda judaica” na primeira edição do seu livro de receitas “A Shilling Cookery for the People” (1845). A receita de Soyer observava que a “maneira judaica” inclui o uso de óleo em vez de gordura de carne.
A conjunção oficial de peixe com batatas fritas aconteceu alguns anos depois graças a um cozinheiro judeu, desta vez um jovem imigrante Ashkenazi chamado Joseph Malin, que abriu a primeira loja de chips britânicos, também conhecida como fish and chips, em Londres em 1863. A loja teve tanto sucesso que permaneceu no mercado até aos anos 70 (século XX).
(crédito a Ronnie Fein)
